sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Sim, ainda amamento!


(Fala apenas a mãe). Gosto muito de amamentar. Cada filha de sua forma.
 
A A. quando nasceu, depois de um parto agitado apenas quis dormir.
Demorou a pegar na mama, tive uma enfermeira fantástica na MAC que durante a noite me ajudou e consegui a proeza de lhe dar de mamar. Revia todas as dicas que tinha lido sobre uma boa pega do bebé mas ansiedade de não "saber fazer" estava lá.

Depois passou... e veio a subida do leite, já em casa e doeu que se fartou! (- Ninguém nos avisa disto!) Não conseguia usar a bomba de leite e a única forma de alívio eram os duches de água quente. 

Depois passou... e, vieram as gretas e os mamilos doridos (gelo aliviava, na altura não sabia da maravilhosa lanolina). Muitas vezes chorava só da pensar que a aquela boquinha pequena ia voltar a tocar ali. 

Depois passou...e já não me lembrava qual tinha sido a última mama... e a A. demorava imenso tempo, adormecia a meio e ficava ali encaixada no colo, e eu adormecia com ela. 

Depois passou...e tudo se tornou pacífico e mágico, ela calma, satisfeita, a crescer bem. Só com o meu leite. Isto dá uma força interior enorme... além de ser super prático, nada de leite em pó e biberão para preparar. 

Depois acabou.
No dia em que fez 1 ano. Mamou e chorou pela primeira vez. Com fome. O meu leite deixou de ser suficiente. Foi o sinal que me fez parar de amamentar. Com 12 meses a transição para o leite normal foi feita de forma fácil e parece-me a melhor altura. 

Depois veio a saudade.
Saudade daquele momento único das duas, interligadas, para mim foi o 2º corte umbilical. Saudade dos sorrisos e dos olhares. De ter o colo cheio.


Com a O. foi completamente diferente.Nasceu e sozinha fez o caminho pela minha barriga até encontrar a mama. Completamente animal. Uma sensação de iluminação milagrosa - em que percebemos que fomos feitas para isto, que estamos em sintonia com a Natureza.

Chorava para mamar mais vezes e fazia ciclos muito pequenos, o que me deixava a pensar que era impossível estar satisfeita. 8 a 10 minutos no máximo e despachava-se! Desta vez já, com uma App onde registava os momentos de amamentação tudo era mais prático... Ser mãe pela segunda vez faz-nos fazer tudo de forma mais descontraída e fácil, sem tanto medo de errar, menos by the book - e isso é óptimo.

Aos 4 meses, começou a demonstrar que o leite já não era suficiente. É uma menina de alimento. (tudo comprovava o que dizia dela: que nunca seria uma Olívia Palito!) Nessa altura achei prematuro deixar de amamentar. Continuava a ser bom para ela e para mim. Começamos com as rotinas de dar de mamar e depois suplemento, comigo sempre a pensar - vai habituar-se ao biberão e pronto não vai querer a mama!, mas não. De tal forma que deixámos andar a coisa... até hoje.

Quando em perguntam "Então mas ainda amamentas?" Sinto um misto de crítica com espanto. Eu continuo a vê-la tão pequena, enquanto os outros já a vêem quase com 2 anos! Confirmo muitas vezes se realmente tenho leite... O peito reduziu drasticamente e também emagreci bastante à conta disto. Quando me perguntam "e quando vais parar?" não sei responder. Acho que não quero ser eu a decidir...Gostava que a escolha fosse dela, tal como escolheu o dia em que nasceu. Não sei se será... 

Hoje de manhã tive a prova que estou certa. O pai trouxe o biberão antes de ela ter terminado de mamar (eu pensei: então!? agora ela vai largar-me...) e foi lindo de ver, ela com o biberão numa mão e a boca na mama, a terminar o que tinha começado. Com os olhos voltados para mim. Mimo só mimo entre as duas. Maravilhoso.

Sim, ainda amamento!



Sem comentários:

Enviar um comentário